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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Black out

Quem diria que tudo o que era necessário para recomeçar a escrever seria um blecaute... Tantos sonetos jogados fora, algumas trovas queimadas, muitos contos 'excluídos'; nada resta do tempo no qual eu tinha o objetivo de tornar-me um escritor... Nada além de memórias nebulosas...
Mas eu posso escrever só por diversão, não posso? Começar de novo, a partir daquele delicioso momento em que houve silêncio... E eu pude ficar a sós comigo mesmo... Deu pra pôr a mente para trabalhar, me acostumar novamente com o delicioso som do lápis rabiscando no papel, tão superior ao tectec do teclado e do cliqueclique do rato... O que eu escrevi durante o blecaute é irrelevante. Foi como se eu tivesse nascido de novo, como se aquele fosse o meu primeiro texto e depois dele o meu primeiro poema, cheio de vontade, mas sem muito conquistar... Ainda assim, uma vitória retumbante sobre o ócio, contra o qual lutamos desde que começa a cultura.
Porquanto escrevo, leiamos.